ARTE NA
PRÉ-HISTÓRIA
Um dos períodos mais fascinantes da história humana é
a Pré-História. Esse período não foi registrado por nenhum documento escrito,
pois é exatamente a época anterior à escrita.
A Pré-história
divide-se em Idade da Pedra, do Bronze e do Ferro. A Idade da Pedra foi
dividida em dois períodos: Paleolítico e
Neolítico. Os povos antigos, antes de conhecerem a escrita, já produziam
obras de arte. Os homens das cavernas faziam figuras em suas paredes,
representando os animais e as pessoas da época, com pinturas representando
cenas de caças e ritos religiosos, tendo Lascaux
(França) e Altamira (Espanha), como principais referências de arte
rupestre.
PALEOLÍTICO
ou PEDRA LASCADA.
O período paleolítico também é conhecido como Idade da
Pedra Lascada. O homem fabricava utensílios de pedra lascada e madeira, é um
período pré-histórico correspondente ao intervalo (30.000 a.C. e 10.000 a.C.)
entre a primeira utilização de utensílios pelo homem até ao início do
Neolítico.
No período Paleolítico, o homem era nômade,
preocupava-se com a caça e a pesca para sua sobrevivência, morava em cavernas
para se proteger do frio e dos animais.
As primeiras expressões da arte eram muito simples.
Consistiam em traços feitos nas paredes de argila das cavernas ou das
"mãos em negativo". Somente muito tempo depois de dominarem a técnica
das "mãos em negativo" é que os artistas pré-históricos começaram a
desenhar e pintar animais.
Para se obter uma "mão
em negativo", os homens pré-históricos após obter um pó colorido a
partir da trituração de rochas, os artistas sopravam, através de um canudo,
sobre a mão pousada na parede da caverna. A região em volta da mão ficava
colorida e a parte coberta, não. Assim, obtinha-se uma silhueta da mão, como um
filme em negativo.

A principal
característica dos desenhos da Idade da Pedra Lascada é o naturalismo. O artista pintava os seres, um animal, por exemplo, do
modo como o via de uma determinada perspectiva, reproduzindo a natureza tal
qual sua vista captava. Atualmente, a explicação mais aceita é que essa arte
era realizada por caçadores, e que fazia parte do processo de magia por meio do
qual se procurava interferir na captura de animais, ou seja, o pintor-caçador
do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde que possuísse a sua
imagem. Acreditava que poderia matar o animal verdadeiro desde que o
representasse ferido mortalmente num desenho. Utilizavam as pinturas rupestres, isto é, feitas em
rochedos e paredes de cavernas.
Em suas pinturas, o homem da caverna usava óxidos
minerais, ossos carbonizados, carvão, vegetais, e sangue de animais. Os
elementos sólidos eram esmagados e dissolvidos na gordura dos animais caçados.
Como pincel, acredita-se que utilizaram inicialmente o dedo, mas há indícios de
terem empregados pinceis feitos de penas e pêlos.
Nesta época
também começaram a aparecer estatuetas em marfim e osso, baixos-relevos em
pedra, desenhos de incisão em osso e pedras, decoração de armas e utensílio.
Predominam figuras femininas, com a cabeça surgindo como prolongamento do
pescoço, seios volumosos, ventre saltado e grandes nádegas. Destaca-se: Vênus
de Willendorf e Savignano.
NEOLÍTICO ou
PEDRA POLIDA
O
Neolítico, também denominado de Idade da Pedra Polida, é um período da
Pré-História que compreende o espaço de tempo entre 12000 a.C. e 4000 a.C. O
nome “Idade da Pedra Polida” é dado em referência ao fato de que, neste
período, o homem aprendeu a polir a pedra e a fabricar instrumentos mais
eficientes, como machados, lâminas de corte, serras, etc.
Neste
período, o homem deu um dos passos mais importantes para seu desenvolvimento ao
descobrir a agricultura e a domesticação de animais (Revolução neolítica). Assim, encontrou uma nova forma diferente e
relativamente não-esgotável de obter alimentos, deixando de ser nômade para ser
sedentário, ou seja, que possui um uma residência fixa.
O
clima da Terra no Neolítico era bastante diferente do Paleolítico. De fato, a
crosta terrestre se aqueceu, findando a Era Glacial. Isso permitiu a formação
de rios e desertos. Foi nessa fase que se iniciou a divisão do trabalho e a
diferenciação social. Os homens se dedicavam à caça e as mulheres, à
agricultura e à educação das crianças. Surge também o comércio. O homem do
Neolítico utilizava os métodos de trocas, uma vez que a moeda ainda não havia sido
criada.
O
homem desenvolveu técnicas de tecelagem e moagem. Também descobriu a roda e a
tração animal, facilitando bastante sua vida. Uma vantagem desses avanços
tecnológicos foi a utilização de roupas de lã negra e de pele de cabra.
Todas essas conquistas técnicas tiveram um forte
reflexo na arte. O homem, que se tornara um camponês, não precisava mais ter os
sentidos apurados do caçador do Paleolítico, e o seu poder de observação foi
substituído pela abstração e racionalização. Como consequência surge um estilo
simplificador e geometrizante, sinais e figuras mais que sugerem do que
reproduzem os seres. Os próprios temas
da arte mudaram: começaram as representações da vida coletiva, do trabalho e de
danças.
Além de desenhos e pinturas, o artista do neolítico
produziu uma cerâmica que revela sua preocupação com a beleza e não apenas com
a utilidade do objeto. Dois belos exemplos dessa cerâmica são a Ânfora em terracota na Dinamarca e o Vaso
escandinavo em terracota. Essa invenção deve ter sido fruto do acaso: o homem
observou que, ao recobrir com argila os recipientes de madeira, estes
endureciam com o fogo e ficavam mais resistentes. No início, os recipientes
eram moldados à mão.
Outro avanço do homem
neolítico é os Monumentos megalíticos ou megálito, uma construção monumental com
base em grandes blocos de pedras rudes.
Para erigir seus
monumentos, os homens da época pré-histórica provavelmente começaram por
levantar uma coluna, em honra de um deus ou
de um acontecimento importante, embora a maioria dos historiadores relacionam o
seu aparecimento com

- Culto da fecundidade (menir isolado).
- Marcos territoriais (menir isolado).
- Orientadores de
locais (menires isolados e em linha – cromeleque)
- Santuários religiosos (menires em
círculo - cromeleque).
Esses monumentos pré-históricos
eram pedras, cravadas verticalmente no solo, às vezes bastante grandes (megalito denominado menir) e o conjunto
dessas pedras é chamado de cromeleque.
Pelo peso dessas pedras, algumas de mais de três toneladas, acredita-se que não
poderiam ter sido transportadas sem o conhecimento da alavanca.
São também desse período as construções denominadas dólmens. Consistem em duas ou mais
pedras grandes fincadas verticalmente no chão, como se fossem paredes, e em uma
grande pedra colocada horizontalmente sobre elas, parecendo um teto. O porquê
dessas construções ainda não foi suficientemente esclarecido pela história.
Sendo a principal delas, o santuário de
Stonehenge.
ARTE PRÉ-HISTÓRICA BRASILEIRA
O Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, concentra
o maior número de pinturas rupestres do mundo que, atualmente, totalizam cerca
de mil espaços de pinturas e gravuras, além de 292 aldeias, sítios cemitérios,
acampamentos temporários, oficinas líticas – local em que confeccionavam e
amolavam artefatos – e cerâmicas. Pelo valor cultural desse acervo, o parque
foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 1991.
O sítio mais famoso é a Toca do Boqueirão da Pedra
Furada. As paredes do local estão cobertas por mais de mil pinturas rupestres
de diversos períodos. Além da ampla plataforma, que tornava possível a
permanência de um grande número de indivíduos.
As
pinturas rupestres são os vestígios que restaram de práticas rituais executadas
durante milênios. Representam cenas da vida cotidiana e cerimonial de grupos
étnicos da Pré-História.
As pinturas foram utilizadas como marcadores de memória e reforçaram a
transmissão do saber às novas gerações. No início, eram claramente expositivas,
refletindo uma dinâmica surpreendente. Figuras humanas e de animais são
representadas em atividades lúdicas com grande variedade de composições. A
simplicidade e a espontaneidade da ação representada transmitem mensagens
abertas e acessíveis a qualquer observador. Com o tempo, aparecem evidências de
maior domínio da técnica gráfica. A ornamentação dessas figuras passa a ser
prioritária, e os símbolos predominam em detrimento do caráter figurativo das
ações representadas. São numerosos os gestos criativos que se sucederam,
originados por várias mãos de muitas gerações, mas o observador pode reconhecer
unidades culturais e uma clara diferenciação de estilo. A diversidade dos
sítios e a riqueza de suas pinturas fazem do Parque Nacional Serra da Capivara
uma fonte de informações sobre a vida das primeiras ocupações humanas na
América.
ARTE EGÍPCIA
“No Egito, as bibliotecas eram chamadas
de ''tesouro dos remédios da alma''. De fato nelas se curava a ignorância, a
mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.” (Jacques Benigno
Bossuet)
As primeiras tribos nômades se fixaram no vale e no delta
do Nilo em tempos pré-históricos. Com o desenvolvimento da agricultura, esses
grupamentos criaram vínculos comunais, pois se reuniam para semear as terras e
irrigar as plantações após a cheia do Nilo. Eles formaram aldeias rurais que
estruturaram-se em províncias denominadas de nomos. Por volta de 4.000 a 3.500 a.C, impulsionados pela
necessidade de fortalecimento econômico e como estratégia de defesa contra os
inimigos, os nomos agruparam-se em dois reinos: o Alto e o Baixo Egito. A
unificação do Egito, construída do sul para o norte, ou seja, do Alto para o
Baixo Egito, é atribuída ao primeiro
faraó, Menés (entre cerca de 3.500 a 3.000 a.C), identificado como Narmer.
Com ele se iniciou a primeira de 30 dinastias egípcias, uma história de cerca
de 3.000 anos.
O tipo
de governo que surgiu com o nascimento do reino egípcio é a monarquia
teocrática. Essa caracteriza-se como um regime altamente centralizado, cuja
base do poder do faraó está na religião. O seu caráter divino, baseado na sua
identificação como a encarnação do deus Hórus, tornava o seu poder absoluto e
inquestionável. O faraó era a autoridade
máxima em todas as esferas (religiosa, administrativa, social, econômica,
judicial, militar), ele era o senhor de todas as terras e de todos os
egípcios.
A arte egípcia foi uma expressão do Estado
Teocrático, seguia leis e o artista não era livre para improvisar.

As maiores realizações
artísticas egípcias foram os templos e os túmulos. Os mais famosos exemplares, que datam
desse período, são as três grandes pirâmides
dos faraós Queops, Quefrem e Miquerinos, da 4ª dinastia. Fruto da evolução
técnica conseguida, elas são descendentes das mastabas (primeiros túmulos em forma de trapézio) e da experiência
do arquiteto Imhotep, construtor da pirâmide
escalonada de Sakara (superposição de seis mastabas) do faraó Zoser da 3ª
dinastia. Esses colossais túmulos reais são compostos por imensos blocos de
pedra, que originalmente eram revestidos com pedra calcárea branca, formando
superfícies planas, polidas e brilhantes. Dessa cobertura depredada ao longo
dos séculos, só resta uma pequena parte no topo da pirâmide de Quéops.
Interiormente, uma série de corredores conduzem à câmara funerária onde era
depositada a múmia. Esses corredores após o sepultamento eram obstruídos com
pedras como proteção.
Na
verdade, as grandes pirâmides são parte de um conjunto funerário maior composto
de pirâmides menores destinadas às rainhas e parentes reais, e construções
cerimoniais de culto. Parte deste conjunto é a Grande Esfinge, representação híbrida antropozoomorfa
com corpo de leão e cabeça humana masculina. Sua construção é atribuída ao
faraó Quéfrem.

O custo com materiais e mão-de-obra inviabilizariam essas
construções atualmente. Com relação às esculturas
egípcias, elas representam tanto o indivíduo como a classe social à qual
pertencem. Assim, os nobres são mais idealizados que os inferiores. As
esculturas de corpo inteiro encontram-se presas nas costas ao bloco de pedra,
uma solução técnica dessa fase. Para conferir equilíbrio à composição destas,
as figuras de pé estão sempre como a dar um passo, geralmente com a perna
esquerda à frente, de modo a distribuir o peso, não apresentam movimento.
A escultura do faraó Miquerinos e sua
esposa demonstram essas características bem como uma certa rigidez no corpo. Já
a escultura do escriba sentado, encontrada em Sakara, possui menos rigidez e
mais realismo. Os olhos, a boca e a mão direita preparada para escrever denotam
um momento de atenção. Os escribas tinham um papel muito importante no Egito
Antigo na confecção dos registros e controle dos impostos. Nesta escultura
nota-se que a pele foi pintada de vermelho, cor destinada às figuras masculinas
e os olhos foram incrustados em branco com a pupila e íris negras de forma a
criar uma expressão viva. As paredes dos túmulos (reais e de particulares) e
templos eram ornadas com relevos
narrativos coloridos acompanhados por inscrições em hieróglifos. Nessas
representações bidimensionais não há preocupação com perspectiva e seguem a uma
série de convenções estabelecidas. Assim, as figuras mais importantes sempre estão em tamanho maior para dar
destaque. As pessoas, quando de corpo inteiro, quase sempre são representadas
com os rostos de perfil, o torax frontal
e as pernas e braços vistas de lado (Lei da Frontalidade). As mulheres
egípcias, geralmente, são pintadas de cor mais clara que os homens, os pintores utilizavam a técnica do afresco (Técnica de pintura mural, executada
sobre uma base de gesso ou argamassa ainda úmida).
A arte
do Novo Império está fartamente documentada através de seus exemplares. Na
arquitetura, destacam-se os imponentes templos. Em alguns templos, obeliscos
(grande pilar de pedra vertical com quatro faces). O mais famoso templo do Novo
Império era Karnak e Luxor, dedicados ao deus Amon, iniciado em cerca de 1.390
a.C., sofreu acréscimos no decorrer dos séculos pelos faraós que queriam se
eternizar. O grandioso Templo funerário da rainha Hatshepsut (1.501-1.480 a.C),
em Deir El-Bahri, projetado pelo arquiteto Senmut é outro destaque.
Quanto à arquitetura funerária, devido às violações praticadas nas
sepulturas na época, foi escolhido um novo local para os enterramentos: o Vale
dos Reis, uma área desértica e de fácil controle e vigilância. Os túmulos no
Vale dos reis eram hipogeus,
estruturas subterrâneas, com vários compartimentos, escavadas nas encostas das
montanhas. Esses compartimentos eram decorados com relevos e pinturas que
traziam narrativas sobre a vida do morto, as promessas do além e inscrições
mágicas que orientassem a passagem para a vida eterna, dentro dos decretos
estabelecidos.
No Novo
Império, as esculturas eram realizadas em busca de graça e elegância. Embora
houvesse um maior realismo nos rostos, as regras de composição ainda eram
seguidas. Uma das maiores contribuições desse período foi a pintura. Utilizada
em maior escala na decoração dos túmulos do Vale dos Reis, agora era
independente dos relevos. Enquanto os túmulos reais estão submetidos a rígidas
convenções, os túmulos particulares oferecem maior liberdade. A arte desse
período é bastante característica, retratando os soberanos em situações
cotidianas com alto grau de realismo e informalidade.
Nefertiti,
a esposa de Akenaton, que teve papel decisivo nessa nova configuração e no
culto a Aton, foi imortalizada por um busto sob a guarda do Museu de Berlim.
Principais características da Arte
Egípcia
• Arte antropozoomórfica: funde homem e animais para
representar as características dos deuses de sua mitologia;
•
Integração pictórica: relevos e hieróglifos integrados à arquitetura, escultura
e pintura na decoração de interiores;
•
Predomínio de formas geométricas, piramidais e simétricas;
• Arte
estática, com pouco ou quase nenhum movimento; as pessoas são retratadas em
posições rígidas;
•
Simbologia das cores: as figuras masculinas são pintadas, predominantemente em
vermelho e as femininas em ocre;

•
Simbologia de gestos e formas: por exemplo pés representados de lado pessoa
viva; “pés juntos” representavam um morto;
• Lei da frontalidade – a cabeça e as
pernas mostradas de perfil (lado); olhos e o tronco, de frente;
• Arte
hierarquizada – a posição social era evidenciada pelo tamanho da figura
representada o
Faraó,
por exemplo, era desenhado maior que o sacerdote e, assim, sucessivamente, o
escriba, os soldados e o povo.

ARTE
GREGA
“A educação tem raízes amargas, mas os
frutos são doces.” (Aristóteles).
PERÍODO ARCAICO (800 a 500 a.C)
Para abordarmos a arquitetura grega, é preciso,
inicialmente, expor uma de suas características principais: as ordens
arquitetônicas. Uma ordem arquitetônica grega é definida a partir da coluna. A coluna é um elemento de sustentação e
decoração vertical de uma construção. Ela
é composta por três partes: base, fuste e capitel. A base é o suporte da
coluna, uma espécie de pedestal entre o piso do edifício e o fuste. O fuste é o
corpo alongado vertical da coluna, que determina a altura da construção.
Geralmente, tem a forma cilíndrica. O capitel é a parte superior da coluna,
cuja característica decorativa é a mais evidente nas ordens gregas. O
entablamento é formado por três elementos sobrepostos: arquitrave, friso e
cornija. A arquitrave apoia-se horizontalmente sobre os suportes verticais
(colunas), recebendo o peso sobre ela e transmitindo-o para os apoios verticais
sob ela (colunas). O friso, geralmente, recebe decorações escultórias. A
cornija é uma moldura que serve de coroamento ou de elemento intermediário
entre a parede e o teto.
No período arcaico surgiram as ordens
dórica e jônica. A ordem principal
foi a dórica que trazia o equilíbrio entre a solidez maciça e o refinamento. A coluna dórica não possui base, seu
fuste é ornado por caneluras e não é perfeitamente cilíndrico, diminuindo da
base para o topo e um capitel quadrangular. Os gregos consideravam a ordem
dórica como uma ordem masculina. A
coluna Jônica que se desenvolveu ao mesmo tempo que a dórica, assenta-se
sobre uma base, o fuste mais fino, tem caneluras
semicirculares mais profundas e separadas umas das
outras por uma estreita banda. O capitel é composto por duas volutas ou
espirais, é menos simples e mais elegante, sendo considerada pelos gregos uma
ordem feminina A ordem jônica,
A principal manifestação arquitetônica grega desse
período foi o templo. Ele era composto pelas seguintes partes essenciais: cella
ou naos, pronaos, antas ou antae, pteromas, peristilo. A cella ou naos era o
local mais sagrado, onde ficava a imagem do deus protetor do templo.

Na escultura arcaica grega os tipos mais característicos são as figuras humanas
femininas denominadas koré e as
masculinas chamadas kouros. As
primeiras esculturas gregas assemelham-se às egípcias pelo caráter maciço,
ombros largos, punhos cerrados, perna esquerda adiantada, tratamento do cabelo,
gestualidade. São em tamanho natural, de pé. Algumas trazem o nome do escultor
(fulano de tal... me fez). É difícil determinar se elas representam o doador,
uma divindade ou qualquer pessoa favorecida pelos deuses, como, por exemplo, o
vencedor dos jogos atléticos. Outras eram colocadas nas sepulturas, mas não
devem ser vistas como retratos; são representações convencionais, imagens
impessoais. Nem são deuses nem homens, mas seres intermédios, tipos de um ideal
de perfeição física e de vitalidade.
As esculturas
ditas koré (que significa mulher
jovem) são severas, estão sempre vestidas, originalmente trazem a mão esquerda
estendida para a frente como que ofertando um objeto votivo, apresentam, muitas
vezes, vestígios de policromia (colorido).
O kouro,
diferentemente da koré, está sempre nu. As formas são vigorosas e compactadas,
os músculos e a rótula do joelho são acentuados. Em muitos exemplares os punhos
estão ligados às coxas. O cabelo é estilizado. Do rosto, destacam-se os olhos
grandes que procuram fitar os observadores.

Quanto à
pintura no período arcaico, dos murais e painéis quase nada restou. A pintura
cerâmica é que nos fornece uma riqueza de exemplares. Sua decoração é
essencialmente figurativa. A temática engloba cenas mitológicas, lendas e vida
cotidiana. A pintura é dividida em três grupos: figuras pretas sobre o fundo vermelho, figuras vermelhas sobre o fundo
preto e figuras sobre o fundo branco(helenístico)
PERÍODO
CLÁSSICO (500 a 336 a.C)
O século V a.C é o século áureo da Grécia, em especial
para Atenas. Foi o século de Péricles, do apogeu da democracia escravista, do
florescer da cultura e da arte. Além do expansionismo comercial, Péricles
favoreceu as grandes construções públicas em Atenas como forma de gerar
empregos, reduzindo as tensões sociais. Sob seu governo foram realizadas as
grandes obras primas da arte grega.
Datam do século IV a.C. os mais famosos teatros gregos. O teatro era composto
por 3 partes: uma cena, a orquestra (espaço circular ou semicircular central,
onde ficava o coro) e um semicírculo de degraus onde ficava a plateia.
O teatro para contar história se utiliza da palavra,
dança, música, pintura e tudo ao vivo. Os gregos criaram seu próprio teatro. Em
Atenas, celebrava-se o culto de Dionísio (deus da uva e do vinho),
acontecimento muito apreciado pela população camponesa. Já as Grandes
Dionisíacas eram as celebrações urbanas, quando se realizavam os famosos
concursos entre autores, entre os principais estão: Eurípedes, Sófocles, Aristófanes e Ésquilo.

As encenações das peças eram feitas exclusivamente por atores masculinos que usavam máscaras de barro
ou madeira e representavam também personagens femininos.
No período clássico, o teatro tornou-se uma
manifestação artística independente, embora os principais temas permanecessem
ligados à religião e à mitologia. Os dois gêneros básicos do drama teatral
foram a tragédia e a comédia.
A tragédia era um estilo nobre e elevado, que desperta,
fatalidade, purgação, compaixão, piedade e terror. Os heróis eram Reis, pessoas
ilustres e com poder, fundamentava-se na temática mitológica e o júri era
composto por pessoas escolhidas pelo magistrado, pessoas de famílias
aristocráticas e que se destacavam na sociedade. Para os autores clássicos, era
o mais nobre dos gêneros literários.
Era constituída por cinco atos e, além dos atores,
intervinha o coro, que manifestava a voz do bom senso, da harmonia, da
moderação, face à exaltação dos protagonistas.
Na tragédia o herói sofre sem culpa. Ele tem o destino
traçado e seu sofrimento é irrefutável e as vezes morre no final
A comédia era considerada um gênero literário menor, onde o
herói era palhaço, bobo, inocente, santo, idiota, trapalhão, fingidor. Não
possuía nenhum padrão rígido de fundamentação mitológica. Elaborava críticas ao
político, governantes e costumes da época e o júri composto por cinco pessoas
da plateia escolhidas por sorteio. A temática era voltada para o cotidiano,
vida privada, intimidade dos cidadãos, amor, prazeres da vida, intrigas
sentimentais.
No final do século V a.C surge a ordem coríntia, mais decorada, assemelha-se a um sino invertido,
traz duas fileiras horizontais de folhas de acanto e no capitel 4 volutas enroladas duas a duas.
A escultura
e a pintura eram manifestações
antropocênticas de alto realismo, de grande perfeição nas formas. Fídias e
Miron foram os maiores expoentes na estatuária. A estatuária monumental em
movimento foi uma das mais interessantes realizações desse período. Os seus
mais representativos exemplares foram uma escultura de Poseidon e o Discóbolo
de Míron. O Poseidon (para alguns seria Zeus) em bronze, um nu masculino com
mais de dois metros, traz o deus em uma posição de arremesso (o tridente se for
Poseidon ou o raio se for Zeus), um movimento magnificamente capturado.
O Discóbolo, o atleta lançador de disco, foi criado
pelo escultor Míron. Retrata o movimento de lançamento através da torsão do
tronco, a elevação do braço direito e a posição das pernas
Não há
pinturas murais nem painéis deste período, apenas pintura cerâmica.
PERÍODO
HELENÍSTICO (336 a 146 a.C)
Nesse período, a mentalidade
grega foi profundamente modificada. Marcado pela cultura grega, Alexandre, o
Grande, (356-323 a.C.), que teve como mestre o grande filósofo Aristóteles,
realizou com a sua conquista do mundo um processo de fusão das culturas grega e
orientais que se configurou num estilo chamado helenístico. Seus principais
representantes encontram-se expressos na arte escultórica. Nesse período, “o
escultor torna-se cada vez mais livre; ele já não tem de limitar-se a um certo
número de tipos bem definidos e, a partir de então, pode representar a velhice
ou a infância, esculturas em grupo, dedicar-se às cenas de costumes inspiradas
na vida cotidiana, utilizar francamente o relevo com finalidade narrativa ou
descritiva”. A arte helenística é marcada pela dramaticidade, pelo sentimento.
O Gaulês
moribundo reproduz detalhadamente os traços físicos, o rosto e o cabelo. Também
acrescenta o torques, um colar típico dos celtas. Despido, ferido, derrotado,
de cabeça baixa, tentando apoiar-se no braço direito, esse guerreiro em sua
agonia final possui uma dramaticidade pungente. Surpreendentemente, a famosa Vênus de Milo não é uma obra do período
clássico. Embora seja a expressão da beleza e perfeição, obedecendo aos cânones
das proporções de Lisipo, ela é uma obra helenística não só por ter sido
realizada nesse período. Ela não é uma figura feminina idealizada, ela foi
retratada com muito realismo, detalhamento, individualização, marcas do
helenístico. De maior efeito dramático é a Nike (Vitória) de Samotrácia, uma
escultura comemorativa dessa batalha. A vitória militar é personificada numa
figura feminina, representada sobre a proa de um navio proclamando a sua
glória. Essa escultura é puro movimento. O vento parece soprar imprimindo
animação, dinâmica à sua veste, que se cola ao corpo.
ARTE ROMANA
"O que é a arte
romana?" O gênio romano, tão facilmente identificável em qualquer outra
esfera de atividade humana, torna-se estranhamente enganoso quando perguntamos
se existiu um estilo romano nas artes. Por que isso acontece? A razão mais
óbvia é a grande admiração que os romanos tinham pela arte grega de todos os
tipos e períodos, porém os romanos tinham uma temática diferente, pois enquanto os gregos buscavam a beleza os
romanos buscavam a funcionalidade e diversidade de estilos. Assim, não
devemos insistir em avaliar a arte romana segundo os padrões da arte grega,
perto da qual poderia parecer, superficialmente, uma fase final e decadente.
Os
romanos ao contrário de outros povos, que retratavam seus imperadores,
procuravam representar todos os habitantes do amplo Império, desde a classe
média até os próprios escravos.
ARQUITETURA
Os romanos foram grandes
mestres da arquitetura, mesclou influências etruscas e gregas, com as
característica de sua própria civilização, principalmente a partir do século II
a.C., quando as conquistas romanas possibilitaram a formação de uma elite
enriquecida e ao mesmo tempo fortaleceu o Estado.
Dos etruscos herdaram o arco pleno (180º) e a abóbada,
possibilitando o aumento do espaço interno, que antes eram limitados por
colunas. Dos gregos herdaram as concepções clássicas dos estilos Dóricos,
Jônicos e Coríntios, além do naturalismo helenístico grego.
A imponência e a
grandiosidade das construções romanas, reflete as conquistas e as
riquezas
desta sociedade - templos, basílicas, anfiteatros
com destaque para o coliseu, arcos de triunfo, colunas comemorativas (Trajano), termas e edifícios administrativos
- eram obras que apresentavam dimensões monumentais.
riquezas
desta sociedade - templos, basílicas, anfiteatros
com destaque para o coliseu, arcos de triunfo, colunas comemorativas (Trajano), termas e edifícios administrativos
- eram obras que apresentavam dimensões monumentais.
Os romanos ainda construíram
aquedutos que transportavam água limpa até as cidades e também desenvolveram
complexos sistemas de esgoto para dar vazão à água servida e aos dejetos das
casas.
A arquitetura romana era essencialmente funcional com um teor realista profundo, mais prática e menos
voltada para os ideais gregos de beleza; grandiosa, transpirava força,
sentimento e originalidade.
Panteão é o templo dedicado a
todos os deuses tem como características marcantes: uma cúpula esférica, uma
relação proporcional entre altura e largura, uma abertura circular no alto, ao
centro (que podia ser fechada com um postigo de bronze, para controlar a
temperatura do ambiente).

ESCULTURA
A influência grega fez com
que surgissem em Roma os copistas, que retratavam com extrema fidelidade as
principais obras clássicas (gregas), de homens consagrados como Fídias e
Praxítel.
O racionalismo e a fidelidade
ao real orientaram a produção da estatuária romana e serviram para satisfazer o
desejo de glorificação pessoal e de comemoração de conquistas e grandes feitos.
Proliferaram no âmbito dessa arte romana os bustos, retratos de corpo inteiro e
estátuas equestres de imperadores e patrícios, os quais passaram desse modo à
posteridade.
A narração de fatos históricos
e a reprodução de campanhas militares tomou forma nos relevos que se
desenvolveram na fachada de templos e dos Arcos
de triunfo (Tito (c. 81 d.C.), no Foro romano, e o de Bará, em Tarragona,
na Espanha). Também merece destaque a Coluna
de Trajano, erigida para celebrar as campanhas vitoriosas do imperador
sobre os Dácios (antigos habitantes da Romênia) narradas em forma de relevo.

PINTURA
Na pintura,
da qual restam hoje poucos exemplares, encontrados em grande parte nas cidades
de Pompéia e Herculano, soterradas pela erupção do Vesúvio em 79 a.C. e
descoberta no século XVIII, estava presente uma temática variada e ampla, pelo
que se deduz de textos literários antigos – entre outros temas fatos
históricos, mitos, cenas do dia-a-dia, retratos e naturezas-mortas. Nas ruínas
destas cidades encontram-se principalmente vestígios de uma pintura mural.
ARTE
PALEOCRISTÃ
Enquanto os romanos desenvolviam uma arte colossal e
espalhavam seu estilo por toda a Europa e parte da Ásia, os cristãos (aqueles
que seguiam os ensinamentos de Jesus Cristo) começaram a criar uma arte simples e simbólica executada por
pessoas que não eram grandes artistas. Surge a arte cristã primitiva.
Os romanos testemunharam o nascimento de Jesus Cristo,
o qual marcou uma nova era e uma nova filosofia. Com o surgimento de um
"novo reino" espiritual, o poder romano viu-se extremamente abalado e
teve início um período de perseguição não só a Jesus, mas também a todos
aqueles que aceitaram sua condição de profeta e acreditaram nos seus princípios
principalmente em 64 d.C. por Nero.
Esta
perseguição marcou a primeira fase da arte paleocristã: a fase catacumbária, que recebe este nome devido às
catacumbas, cemitérios subterrâneos em Roma, onde os primeiros cristãos
secretamente celebravam seus cultos. Nesses locais, a pintura é simbólica,
simples e grosseira.

Simbologia: Jesus Cristo poderia estar simbolizado por um
círculo ou por um peixe, pois a palavra peixe, em grego ichtus, forma as iniciais da frase: "Jesus Cristo Filho de
Deus Salvador". Outra forma de simboliza-lo é o desenho do pastor com
ovelhas "Jesus Cristo é o Bom Pastor" e também, o cordeiro
"Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus". Passagens da Bíblia também eram
ali simbolizadas, por exemplo: Arca de Noé; Jonas engolido pelo peixe e Daniel
na cova dos leões. Ainda hoje podemos visitar as catacumbas de Santa Priscila e Santa Domitila, nos arredores de
Roma.
Os cristãos foram perseguidos por três séculos, até
que em 313 d.C. o imperador Constantino legaliza o cristianismo e mudo a capital
do império romano para Bizâncio.
2a fase da arte paleocristã: a fase
basilical.
Tanto
os gregos como os romanos, adotavam um modelo de edifício denominado
"Basílica" (origem do nome: Basileu = Juíz), lugar civil destinado ao
comércio e assuntos judiciais. Eram edifícios com grandes dimensões: um plano
retangular de 4 a 5 mil metros quadrados com três naves separadas por colunas e
uma única porta na fachada principal.
Com o fim da perseguição aos cristãos, os romanos
cederam algumas basílicas para eles pudessem usar como local para as suas
celebrações. O mosaico, muito
utilizado pelos gregos e romanos, foi o material escolhido para o revestimento
interno das basílicas, utilizando imagens do Antigo e do Novo Testamento.
Em 395 d.C., o imperador Teodósio dividiu o Império Romano entre seus
dois filhos: Honório e Arcádio. Honório ficou com o Império Romano do Ocidente,
tendo Roma como sua capital, e Arcádio ficou com o Império Romano do Oriente,
com a capital Constantinopla (antiga Bizâncio e atual Istambul).
O império Romano do Ocidente sofreu várias invasões,
principalmente de povos bárbaros, até que, em 476 d.C., foi completamente
dominado(esta data, 476 d.c., marca o fim da Idade Antiga e o início da Idade
Média). Já o Império Romano do Oriente (onde se desenvolveu a arte bizantina),
apesar das dificuldades financeiras, dos ataques bárbaros e das pestes,
conseguiu se manter até 1453, quando a sua capital Constantinopla foi
totalmente dominada pelos muçulmanos (esta data, 1453, marca o fim da Idade Média
e o início da Idade Moderna).
A pintura paleocristã é bastante escassa e totalmente simbólica feitas por
homens do povo. Restaram alguns afrescos, encontrados nos muros das catacumbas;
seus temas eram sempre baseados no Cristianismo, podiam representar orações,
figuras humanas e de animais, símbolos cristãos e passagens dos Evangelhos e
cenas típicas da vida religiosa da época.
A escultura se destaca mais por seu significado e simbolismo do
que pelas formas e é encontrada nos sarcófagos. Baixos relevos de pouca
qualidade transmitem a espiritualidade. Suas figuras dão ênfase às cabeças, que
seriam para eles o centro da espiritualidade.
Existem poucas estátuas e quase sempre representavam o
Bom Pastor. As decorações dos sarcófagos compreendiam cenas em sequência,
personagens entre colunas e um medalhão central.
ARTE BIZANTINA
O cristianismo não foi a única preocupação para o
Império Romano nos primeiros séculos de nossa era. Por volta do século IV,
começou a invasão dos povos bárbaros e que levou Constantino a transferir a
capital do Império para Bizâncio, cidade grega, depois batizada por
Constantinopla, hoje conhecida como Istambul, maior cidade da Turquia. A
mudança da capital foi um golpe de misericórdia para a já enfraquecida Roma;
facilitou a formação dos Reinos Bárbaros e possibilitou o aparecimento do
primeiro estilo de arte cristã - Arte Bizantina.
Graças a sua localização (Constantinopla) a arte
bizantina sofreu influências de Roma, Grécia e do Oriente. A união de alguns
elementos dessa cultura formou um estilo novo, rico tanto na técnica como na
cor.
A arte bizantina está dirigida pela religião; ao clero
cabia, além das suas funções, organizar também as artes, tornando os artistas
meros executores. O regime era teocrático e o imperador possuía poderes
administrativos e espirituais; era o representante de Deus, tanto que se
convencionou representá-lo com uma auréola sobre a cabeça, e, não raro
encontrar um mosaico onde esteja juntamente com a esposa, ladeando a Virgem
Maria e o Menino Jesus.
Mosaico (pequenos pedaços de pedras colocadas sobre o cimento
fresco de uma parede): Sua origem remonta à Grécia, mas foi em Bizâncio que se
usou o mosaico pela primeira vez para decorar paredes e abóbadas e não apenas
pisos, é expressão máxima da arte bizantina, instruindo os fiéis mostrando-lhes
cenas da vida de Cristo, dos profetas e dos vários imperadores. Plasticamente,
o mosaico bizantino em nada se assemelha aos mosaicos romanos; são
confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que regem inclusive
os afrescos. Neles, por exemplo, as pessoas são representadas de frente e
verticalizadas para criar certa espiritualidade; a perspectiva e o volume são
ignorados e o dourado é demasiadamente utilizado devido à associação com maior
bem existente na terra: o ouro.
A arquitetura
das igrejas foi a que recebeu maior atenção da arte bizantina, elas eram
planejadas sobre uma base circular, octogonal ou quadrada imensas cúpulas,
criando-se prédios enormes e espaçosos totalmente decorados. A Igreja de Santa
Sofia (Sofia = Sabedoria), na hoje Istambul, foi um dos maiores triunfos da
nova técnica bizantina, projetada pelos arquitetos Antêmio de Tralles e Isidoro
de Mileto, ela possui uma cúpula de 55 metros apoiada em quatro arcos plenos.
Tal método tornou a cúpula extremamente elevada, sugerindo, por associação à
abóbada celeste, sentimentos de universalidade e poder absoluto. Apresenta
pinturas nas paredes, colunas com capitel ricamente decorado com mosaicos e o
chão de mármore polido.
Toda essa atração por decoração aliada a prevenção que os cristãos
tinham contra a estatuária que lembrava de imediato o paganismo romano, afasta
o gosto pela forma e consequentemente a escultura não teve tanto destaque neste
período. O que se encontra restringe-se a baixos relevos acoplados à decoração.
A arte bizantina teve seu grande apogeu no século VI,
durante o reinado do Imperador Justiniano. Porém, logo sucedeu um período de
crise chamado de Iconoclastia. Constituía na destruição de qualquer imagem
santa devido ao conflito entre os imperadores e o clero.
A arte bizantina não se extinguiu em 1453, pois,
durante a segunda metade do século XV e boa parte do século XVI, a arte
daquelas regiões onde ainda florescia a ortodoxia grega permaneceu dentro da
arte bizantina. E essa arte extravasou em muito os limites territoriais do
império, penetrando, por exemplo, nos países eslavos.
UM POUCO MAIS DE SANTA SOFIA
A
verdadeira beleza de Santa Sofia, a maior igreja de Constantinopla, capital do
Império Bizantino, encontra-se no seu vasto interior. Um olhar mais atento
permite ao visitante ver o trabalho requintado dos artífices bizantinos no
colorido resplandecente dos mosaicos agora restaurados; no mármore
profundamente talhado dos capitéis das colunas das naves laterais, folhas de
acantos envolvem o monograma de Justiniano e de sua mulher Teodora. No alto,
sobre um solo de mármore, bordada em filigrama de sombras dos candelabros
suspensos, resplandece a grande cúpula.
Embora a igreja tenha perdido a maior parte da
decoração original de ouro e prata, mosaicos e afrescos, há uma beleza natural
na sua magnificência espacial e nos jogos de sombra e luz - um claro-escuro
admirável quando os raios de sol penetram e iluminam o seu interior.
